Dnocs oferece área no perímetro Morada Nova ao IFCE para implantação do CVT de Biocombustíveis

Projeto para financiamento da ANP será elaborado até o fim de julho pelo IFCE, Dnocs e pequenos produtores

O diretor geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Emerson Fernandes, autorizou a cessão de área ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE) no perímetro irrigado Morada Nova para a instalação do Centro Vocacional Tecnológico de Biocombustíveis, a ser financiado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). Em reunião nesta sexta-feira (dia 22) com representantes de 250 produtores do perímetro e imediações, com o deputado federal Ariosto Holanda e o diretor do campus Limoeiro do Norte do IFCE, José Façanha Gadelha, foi constituída uma comissão para, até o final de julho, elaborar o projeto da unidade de produção de álcool e biodiesel.

Emerson Fernandes disse que “o projeto tem um alcance muito grande, pois pretende atender a questão econômica e de capacitação da mão de obra do perímetro, e dar a cada agricultor o domínio da situação”. O diretor geral observou ter recebido o projeto como “um presente”. Ele contou que pretendia construir um CVT Portuário em Natal, a exemplo do que foi instalado na Companhia Docas do Ceará, quando presidente da Companhia Docas do Rio Grande do Norte, cargo que exercia quando veio para o Dnocs.

Ariosto Holanda relatou ter recebido no seu gabinete, em Brasília, a diretora geral da ANP, Magda Chambriand, quando ela disse querer fazer um piloto de um CVT de Biocombustíveis no Ceará, a ser operado pelo IFCE e utilizado pela cooperativa de pequenos produtores para processar a produção. O diretor de Desenvolvimento Tecnológico e Produção do Dnocs, Laucimar Loiola, avaliou que a instalação da estrutura do CVT “é de fundamental importância porque vai dar vida onde hoje existe desestímulo, e resonhar o perímetro de forma viável”.

Laucimar Loiola assinalou que as culturas para a produção de biocombustíveis, por exemplo, a cana de açúcar, possibilitam maior valor econômico e rentabilidade do que o arroz cultivado no perímetro. A renda líquida é de R$ 500 por hectare de arroz cultivado no perímetro Morada Nova, que usa água de modo intensivo. Já a cana de açúcar apresenta rentabilidade de R$ 3.750 por hectare, compara.

Conforme Ariosto Holanda, a diretora geral da ANP, Magda Chambriand, será convidada ao Ceará para a assinatura do convênio com o diretor geral do Dnocs, Emerson Fernandes, no perímetro Morada Nova. O deputado informou que, junto ao CVT, será instalada uma incubadora de empresas com projetos dos alunos do IFCE consorciados com irrigantes e dois Arranjos Produtivos Locais (APL) do álcool e do biodiesel.

Muitos alunos do IFCE são filhos de agricultores. São oriundos da escola públicae 98% dos estudantes do campus Limoeiro do Norte, disse Façanha. A proposta da incubadora previa selecionar por meio de edital público as melhores propostas de viabilidade econômica numa área de 1 mil hectares cedida pelo Dnocs e instalar negócios agrícolas em lotes de oito, 16 e 24 hectares, com apoio gerencial do Sebrae e financiamento do BNB. 

A parceria do Dnocs com o IFCE envolverá, também, a cessão das miniusinas de produção de biodiesel de Piquet Carneiro, Tauá, Limoeiro do Norte, Russas e Itapipoca para o IFCE, que vão ser operadas pelos alunos. As minusinas foram implantadas pelo Instituto Centec com a coordenação do engenheiro Roberto Luís Alexandrino Feitosa, que foi aprovado em concurso do IFCE na disciplina Biocombustíveis e vai assumir o cargo no campus avançado de Tabuleiro do Norte. Ele também fez o projeto da minidestilaria de álcool com capacidade de produção de 5 mil litros por dia.

O CVT de Biocombustíveis será um piloto com possibilidade de implantação de outras unidades em outros perímetros. O Dnocs conta com 28 perímetros irrigados. “Devia estar no planejamento do Dnocs treinar o pequeno produtor”, afirmou Ariosto ao diretor geral Emerson Fernandes. O deputado relatou que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, recebeu 10 reitores dos Institutos Federais do Nordeste interessados em assumir em cada estado um CVT nos perímetros irrigados, incluindo também os da Codevasf. Segundo ele, a iniciativa não avançou por limitação de recursos.

Clodoaldo Rodrigues Galvão, presidente da Associação dos Moradores do Sítio Exu e Adjacência do perímetro irrigado de Morada Nova, informou que conta com 250 produtores para abastecer a unidade de produção de álcool e biodiesel do CVT. Segundo ele, se cada um tira um hectare para plantar cana ou sorgo sacarino, pode escalonar a colheita com o que já cultiva de milho, arroz e feijão e ter produção o ano todo com rentabilidade muito maior. “Termina uma produção e começa outra. Vamos ter duas produções no ano e ainda beneficiar o agropecuarista com a fibra”, calcula.

Com quatro hectares, Clodoaldo Galvão disse que pretende também plantar algodão colorido, cuja semente pode ser transformada em biodiesel. O agricultor assinalou que a produção de arroz desperdiça água e satura o solo por inundação do plantio. “Conseguindo a miniusina, o produtor vai ter ganho na produção de etanol e biodiesel. Com inclusão social, ele vai receber uma porcentagem do que coloca. Hoje, quem ganha dinheiro é o atravessador que fornece insumos e equipamento”, informou.

Participaram da reunião, e vão integrar a comissão que fará o estudo, pelo Dnocs, Douglas Augusto Pinto Júnior e Joaci Moreira, da Diretoria de Desenvolvimento Tecnológico e Produção. No encontro, o deputado Ariosto Holanda e o diretor José Façanha convidaram o diretor geral do Dnocs para visitar o campus Limoeiro do Norte do IFCE e Emerson Fernandes aceitou o convite, a ser agendado. Também demonstraram interesse em produzir para o CVT de Biocombustíveis os agricultores Edson Brito e Messias Bandeira, este da Agência Mandala, que cultivam área do Promovale, nas adjacências do perímetro Morada Nova, presentes ao encontro.