CVT Portuário Manuel Dias Branco, parceria de responsabilidade social com o Grupo M. Dias Branco

O maior projeto de responsabilidade social da Companhia Docas do Ceará foi adotado pela empresa M. Dias Branco. A unidade de capacitação profissional e inclusão social, na região de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Fortaleza, foi adotada ao fazer dois anos de atividades com a população do entorno onde está instalada, e passa a se chamar CVT Portuário Manual Dias Branco.

O presidente do Grupo M. Dias Branco, Ivens Dias Branco, filho do patriarca que dá nome à unidade, agradeceu a homenagem à memória do seu pai, em solenidade realizada na sexta-feira. O evento contou com a presença do presidente da Companhia Docas do Ceará, Paulo André Holanda, que representou na ocasião o ministro dos Portos, Leônidas Cristino, e do deputado Ariosto Holanda, idealizador do projeto e autor da emenda que colocou recursos no Ministério da Ciência e Tecnologia para a construção do CVT Portuário.

O Grupo M. Dias Branco é líder na fabricação de massas e biscoitos na América Latina, com atuação também nos ramos de trigo no Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e Paraíba, refinaria de óleo, gorduras e indústria de margarina, setor imobiliário e de hotelaria, e possui um porto privado na Bahia. Em dois anos de atuação, o CVT Portuário já atendeu a mais de 3 mil pessoas com cursos profissionalizantes, oficinas e programas.

“Ver o nome de meu pai estampado na fachada deste Centro de Treinamento é motivo de muito orgulho, honra e gratidão para toda nossa família, pelo reconhecimento que se faz do legado de seu trabalho em benefício do desenvolvimento da nossa região”, disse Ivens Dias Branco. O presidente do Grupo M. Dias Branco parabenizou o deputado Ariosto Holanda “pela magnífica ideia de criação dos Centros de Vocação Tecnológica” e prestou o seu “testemunho pessoal” do trabalho do parlamentar cearense “em prol do desenvolvimento do nosso ensino profissional de nível médio no Brasil, com o objetivo claro de melhorar a capacitação de nossa mão de obra, pela absorção de avanços tecnológicos dos diversos segmentos industriais, o que se torna essencial para o avanço tecnológico no nosso país”.

Ivens Dias Branco acrescentou que “a ideia de criação dos CVTs é hoje uma realidade e um programa do Ministério da Ciência e Tecnologia. Está implantado em várias unidades da federação, inclusive no Ceará, que conta com várias unidades espalhadas pelo interior”. Segundo ele, além de sua finalidade primordial que é o treinamento, o CVT Portuário Manuel Dias Branco “serve também como importante instrumento da responsabilidade social que tem o Porto de Fortaleza. Permite, com suas ações, uma proximidade com a comunidade circunvizinha, promovendo simpósios e abrindo as portas de sua biblioteca para que os jovens tenham acesso à leitura de bons livros”.

“Quis o destino que o primeiro CVT de Fortaleza, inaugurado em outubro de 2010, fosse implantado pelo engenheiro Paulo André Holanda - filho do seu idealizador -, hoje diretor-presidente da Companhia Docas do Ceará”, assinalou Ivens Dias Branco. “O CVT Portuário é o único do gênero no Brasil e já nasceu predestinado ao sucesso, pois atenderá a uma demanda cada vez mais crescente no nosso país, que é a mão de obra técnica na área portuária”, ele afirmou.

Saudados por apresentação de fados pela cantora portuguesa Fátima Goulart com o violonista Zivaldo Maia, os convidados visitaram as instalações do CVT e conversaram com os alunos dos cursos de soldagem, comandos elétricos e espanhol instrumental. Com o deputado Ariosto Holanda, Paulo André Holanda e o coordenador do CVT Portuário, Anibal Júnior, Ivens Dias Branco conheceu o laboratório de informática e a sala de videoconferência da unidade, de onde falou com diretores das Docas que estava na sede da Companhia.

O deputado Ariosto Holanda pediu, na ocasião, o apoio do industrial para viabilizar cursos a distância em convênio com Universidade de Portugal para os engenheiros da Companhia Docas, com foco na engenharia portuária. O Centro de Formação de Instrutores (CFI) do Instituto Centec mostrou os aparelhos, instrumentos  e atividades de divulgação científica dos laboratórios de física, química e biologia, visitados também pelo diretor executivo do Seara da Ciência da UFC, Marcus Vale, e pelo presidente do Instituto Atlântico, Francisco Moreto. O industrial e o deputado recebeu a coleção de três DVDs - Imortais da Ciência -, produzida pela Seara da Ciência e Funcap. Após a solenidade, houve show da banda feminina Fulô de Araçá.

O presidente da Companhia Docas, Paulo André Holanda, disse que tão logo recebeu o protótipo do CVT Portuário em 2008 apresentou o projeto a Ivens Dias Branco, que de pronto afirmou:

- Se você fizer esse Centro, pode contar com o meu apoio integral.

Dois anos depois de criado, segundo Paulo André, o CVT Portuário já é referência para outros portos brasileiros que querem copiar o modelo. O presidente da Companhia Docas destacou que a homenagem ao industrial Manuel Dias Branco é mais do que merecida pela visão futurística dele e do seu filho. “Educando e dando emprego, vamos afastar a violência que ronda a nossa cidade”, disse ele.

Paulo André informou que recebeu em 2008, do ex-ministro dos Portos, Pedro Brito, o desafio para implantar um plano para salvar a Companhia Docas, que estava deficitária há seis anos. “Há três anos a Companhia Docas tem superávit, neste semestre bateu o recorde de movimentação, concluiu a dragagem e em dezembro de 2013 vai ter o mais moderno terminal de pessageiros, novo berço de atracação de 350 metros e ampliação do pátio de cargas com mais 40 mil metros quadrados, além de ter implantado o Plano de Cargos, Carreira e Salário.

“Em três anos, a Companhia Docas investiu mais de R$ 300 milhões”, afirmou Paulo André, destacando o “apoio entusiático” do ministro dos Portos, Leônidas Cristino. 

Ariosto Holanda destacou em Manuel Dias Branco o lado político, por ser um homem determinado, que com perseverança e coragem plantou a semente com a Padaria Imperial - e compromisso com o desenvolvimento do Ceará -, que veio a se transformar no Grupo M. Dias Branco. O deputado disse esperar que Ivens Dias Branco, pela sua competência, traga para o CVT a determinação e que o seu exemplo seja levado a outros empresários para que adotem e venham a gerar muitos outros CVTs no país.

“O CVT tem por lema: o lugar onde você pode crescer”, disse Ariosto Holanda, ao observar que este programa no Brasil tem duas preocupações – a existência de 50 milhões de analfabetos tecnológicos e o analfabetismo tecnológico das micro e pequenas empresas. “O mercado exige mão de obra qualificada e cada vez mais o setor produtivo exige capacitação”, assinalou. Cursos de soldadores, torneiro hidráulico, eletricista predial e outros são dados pelo CVT que ensina e qualifica para o trabalho. A mortalidade alta das micro e pequenas empresas, segundo o deputado, acontece porque não conseguem inovar. Ele defende, além da gestão e financiamento, capacitação tecnológica para o setor.

“A saída dos nossos problemas sociais está no homem, e a melhor maneira de investir no homem é pela educação”, afirmou Ariosto Holanda. Para o deputado, o Brasil deve agir para diminuir a distância de ser a 7ª economia do mundo em PIB e a 84ª em IDH, que mede qualidade de vida por indicadores de educação, saúde e renda.

A solenidade no auditório do CVT Portuário foi marcada por uma apresentação de teatro do Grupo Arte Massa com uma encenação da vida de Manuel Dias Branco, que em 1926 veio de Portugal para o Brasil, primeiramente em Belém como gerente de uma loja de material de ferragens. O patriarca do Grupo M. Dias Branco veio se estabelecer em Cedro, no Ceará, centro da região produtora de algodão de onde por oito operava para um grupo de exportação da espécie de fibra longa, que rivalizava com o cultivado no Egito em aceitação no mercado internacional, e estabeleceu negócio próprio de secos e molhados.

Segundo Ivens Dias Branco, foi um erro estratégico do Brasil trocar o algodão de fibra longa pelo de fibra curta. O Brasil chegou a produzir mais de 100 mil toneladas e hoje produz menos de 20 mil toneladas de algodão, comparou. Em 1936, depois de ter perdido dois filhos em Cedro, Manuel Dias Branco mudou-se para Fortaleza, “por uma questão de sobrevivência condigna” e adquiriu a Padaria Imperial. O industrial disse que o Brasil precisa equacionar o problema do interior, de modo a assegurar segurança a todas as regiões do país, propugnar e resolver esta situação.