Sebrae Ceará discute no dia 3 ações efetivas para fortalecer assistência tecnológica às micro e pequenas empresas

O Sebrae pretende ampliar no Ceará a rede de instituições credenciadas para operar com o SabraeTec – Serviços em Inovação e Tecnologia - , o programa do Sebrae nacional que leva o conhecimento tecnológico às micro e pequenas empresas, com orçamento no estado de R$ 5,2 milhões para este ano e 2013. Apenas três instituições estão credenciadas hoje pelo Sebrae Ceará para operar com o SebraeTec - o Senai e o IEL para projetos na área industrial, e o Senar, que executa os projetos do setor da agroindústria.

Este ano até 2013, no Brasil, o SebraeTec conta com orçamento de R$ 787.554.500,00 para atender a meta de 47.500 micro e pequenas empresas. Para este ano no Ceará, o programa tem orçamento de R$ 3 milhões e meta de atendimento de 1.030 empresas e prevê mais R$ 3,2 milhões para 2013, quando deverão ser atendidas 1.135 empresas no estado. Até agosto, 60% dos projetos do SebraeTec no Ceará são da área de agroindústria, operados pelo Senar.

O responsável pela Unidade de Inovação e Tecnologia do Sebrae, Herbart Melo, disse que quer ampliar o atendimento às micro e pequenas empresas com as demais instituições de pesquisa & desenvolvimento e educação tecnológica do Ceará. Os gestores das instituições de ensino e pesquisa do Ceará serão convidados a participar de um encontro de trabalho no dia 3 de setembro, no Sebrae, que vai discutir o programa e outros temas do âmbito da tecnologia para as micro e pequenas empresas.

O encontro foi proposto pelo deputado federal Ariosto Holanda, que apresentará o relatório Assistência Tecnológica às Micro e Pequenas Empresas, por ele coordenado no Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara. O evento discutirá ações efetivas no Ceará para envolver as instituições detentoras do conhecimento com as necessidades das micro e pequenas empresas.

Através de consultores do Sebrae, as necessidades das empresas são levadas às instituições do sistema de ciência, tecnologia e inovação para encontrar soluções a serem custeadas pelo SebraeTec nas áreas de design, sustentabilidade, tecnologia da informação e produtividade. O deputado vê o SebraeTec como ação de extensão que leva o conhecimento lá na ponta para quem está precisando, para melhorar processos e produtos ou para introduzir inovações.

O evento foi discutido num encontro de Ariosto Holanda com o diretor Administrativo e Financeiro do Sebrae Ceará, Airton Gonçalves, Herbart Melo e João Tavares, do IFCE. Segundo o parlamentar, citando dados do Ipea, no Brasil apenas 10% das micro e pequenas empresas sobrevivem e conseguem chegar a 20 anos de existência. “Estas empresas morrem porque não conseguem inovar numa economia globalizada e de alta concorrência, e não inovam porque estão distantes das instituições que detem o conhecimento”, ele afirmou.

Herbart Melo disse que o Sebrae Ceará é obrigado por lei a aplicar em ciência, tecnologia e inovação 20% do orçamento de cerca de R$ 30 milhões para investimento, sem contar com o custeio. Ele coordena o programa Agentes Locais de Inovação, que começou com 20 consultores e adicionou 20 - cada um recebe R$ 3,6 mil mensais durante dois anos para sensibilizar empresas a executar projetos de inovação através de instituições tecnológicas.

A realidade das micro e pequenas empresas, conforme o deputado Ariosto Holanda, é sustentada sobre quatro pernas: financiamento, gestão, mercado e assistência tecnológica. Segundo ele, muita ênfase é dada ao crédito, hoje disponível nos bancos de desenvolvimento; à gestão, bem suprida pelo Sebrae; e ao mercado, atendido pelos programas de compras governamentais. Todavia, não se dá atenção à tecnologia, apontada pelo Ipea em pesquisa como a principal causa de mortalidade das empresas no segmento.

O encontro no dia 3 de setembro será uma mesa redonda que tem por objetivo encaminhar soluções concretas, disse Ariosto Holanda. Vão participar do evento a UFC, o IFCE, Unifor, Uece, Urca e Uva, Instituto Atlântico, Itic, Nutec, Funcap, Secitece, Embrapa, FIEC, Senai, Padetec, RedeNit, Astef, entre outras. Na ocasião, com a presença de pró-reitores, diretores e pesquisadores envolvidos com desenvolvimento e pesquisa nas instituições cearenses, será criado um grupo de trabalho para desenvolver e fortalecer a assistência tecnológica às micro e pequenas empresas no Ceará.