Ariosto quer colocar na agenda do PSB proposta de inclusão social pela educação

O deputado Ariosto Holanda, eleito membro da executiva estadual do PSB como secretário de Ação Parlamentar, propôs que o partido adote no plano de governo do candidato a prefeito pelo partido, Roberto Cláudio, o tema da inclusão social pela educação. O parlamentar, apresentado pelo governador Cid Gomes como “referência na educação para o Brasil, pela sua militância”, defendeu o projeto de implantação de uma rede de Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) na periferia de Fortaleza para capacitar a população para o mercado de trabalho.

“Há muita gente procurando emprego. Mas, na contramão, tem muita empresa à procura de profissionais capacitados”, disse Ariosto Holanda. O deputado citou dados do IBGE e IDEB que estimam em 50 milhões os brasileiros analfabetos funcionais. Como membro da Comissão Especial do Plano Nacional de Educação (PNE), ele informou que colocou única emenda destinada à extensão tecnológica para capacitação do contingente de analfabetos funcionais, que foi aprovada no relatório final.

“Ninguém na Comissão do PNE estava focado nos que não têm mais tempo de ir à escola”, afirmou Ariosto Holanda. Segundo as pesquisas citadas pelo deputado, dos 130 milhões de brasileiros com 15 até 64 anos, 50 milhões são considerados analfabetos funcionais. Para ele, os Institutos e Universidades que detém o conhecimento devem dar cursos numa linguagem que o povo entenda.

Ariosto Holanda discutiu a sua proposta com o grupo que formamata o plano de governo do candidato Roberto Cláudio, que recebe nesta sexta-feira o presidente do Movimento Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos, para a discussão do Ensino Médio, entre outras propostas. O deputado estará em visita ao interior do Ceará previamente agendada antes de saber deste encontro, e pediu que o tema do analfabetismo funcional, na ocasião, seja discutido.

O parlamentar lembrou ter ficado "muito orgulhoso" na Comissão Especial do PNE com o depoimento do governador Cid Gomes e da secretária de Educação, Izolda Cela, que relataram o trabalho realizado no setor no Ceará, e destacou a implantação das Escolas de Educação Profissional. A educação, segundo ele, é o caminho para o Brasil, que é a 6ª economia do mundo em PIB, possa melhorar a sua posição no Índice de Desenvolvimento Humano, o 84º no rankink mundial do  IDH medido pela qualidade na educação, trabalho e saúde.

Na reunião da executiva do PSB, Cid Gomes comemorou o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2001, divulgado este mês pelo Ministério da Educação, em que o Ceará figura com os melhores indicadores do Norte e Nordeste nos três níveis pesquisados: 5º e 9º anos do fundamental e 3º ano do ensino médio. “Este foi um trabalho coletivo do governo com as prefeituras, de parceria. Quando se tem esforço e definição de metas, tem resultado”, ele afirmou, ao recomendar aos candidatos do partido no Ceará - 973 a vereador, 50 a vice-prefeito e 82 a prefeito -, que adotem como bandeira a educação de qualidade.

Cid Gomes comparou os resultados de municípios dos estados como melhor resultado no Ideb 2011 - Minas Gerais e Santa Catarina -, com Sobral, que alcançou a média 7.3, por ele comparada a “países do primeiro mundo”. O Ceará, segundo ele, foi o estado que mais avançou.

“Na área educacional, Fortaleza está sempre puxando para trás” nos indicadores - disse Cid Gomes -, “é pior do que municípios do interior. Na saúde é a mesma coisa”, ele afirmou. O governador informou que a dívida da prefeitura de Fortaleza é de R$ 300 milhões, embora o município tenha uma capacidade de contratar financiamento de R$ 4 bilhões no Bndes e nas agências internacionais. “O dinheiro não é usado por falta de projeto” – acrescenta.

Não contratar estes empréstimos, segundo Cid,não é mérito. “É incompetência histórica do município”, assinalou, com a ressalva de que não individualiza crítica. No Programa de Saúde da Família (PSF), enquanto a média do Ceará supera os 70% de cobertura, Fortaleza não atinge os 3%, compara. “Na atenção básica há uma lacuna enorme de médicos da família e sua equipes”, constata.