Inclusão social com educação e trabalho

O Brasil, apesar de ter melhorado a distribuição da renda, avançado na educação, registrado taxas de crescimento econômico elevadas, é extremamente desigual. O País é a sétima economia do mundo em riqueza, mas ocupa a 84ª posição em Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Os meios de produção estão concentrados na mão de 6% da população. O mercado é dominado por grandes empresas e consórcios.

O Bolsa Família atende 63 milhões de pessoas a um custo de R$ 13 bilhões enquanto 20 mil famílias recebem R$ 140 bilhões e têm 75% dos títulos da dívida pública. No ensino médio, 45% dos jovens de 15 a 18 anos estão matriculados. Onde estão os outros 55%? Estima-se em 50 milhões o número de analfabetos funcionais e 74% da população não conseguem entender um texto simples.

Temos que analisar e discutir estratégias de como mudar esse quadro. Numa democracia, o objetivo do desenvolvimento deve ter o homem como ponto de partida, observando a sua cultura, o seu meio e seu direito, enquanto cidadão, à educação e ao trabalho. A capacitação profissional e a geração de emprego são os principais desafios para a promoção da cidadania de milhões de excluídos. Por isso, a educação é o mais vital de todos os recursos.

Qual a proposta que temos para os analfabetos funcionais e para as micros e pequenas empresas? Infelizmente, a falta da ética na economia e política está impedindo a realização de ações que levem ao desenvolvimento humano; e, o que é pior, muitos já passam a acreditar que não vale a pena agir corretamente.

Uma crise profunda, acarretada pela destruição dos valores éticos e morais, abala a sociedade brasileira. A corrupção está invadindo pessoas e instituições. Na política atual, sobram partidos e faltam propostas para um desenvolvimento econômico social equilibrado.

O atual modelo de crescimento que se baseia em valores materiais destrói a dignidade da pessoa humana. A acumulação de bens e essa busca incontida para o consumo reduzem a vida humana a sua dimensão puramente material. Quem não tem capital e poder de compra não é reconhecido.

Temos um Estado organizado para atender aos ricos e uma riqueza extremamente concentrada. O discurso do crescimento econômico como fórmula de geração de trabalho torna-se inócuo. Porque poderemos ter aumento significativo do Produto Interno Bruto (PIB) sem que isso implique em criação de um grande número de empregos e diminuição de pobreza. Se pensarmos numa economia que leve em conta as pessoas, com ênfase nas mais pobres e humildes, certamente encontraremos o desenvolvimento que queremos: humano, justo e fraterno.


Ariosto Holanda
Deputado federal (PSB -CE)