Perímetro Morada Nova vai cadastrar irrigantes que vão plantar cana de açúcar para a usina de álcool

Começa no próximo dia 19 o cadastramento de pequenos produtores interessados em plantar cana para produção de álcool e oleaginosas para biodiesel no CVT de Biocombustíveis do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE) do perímetro irrigado do Dnocs em Morada Nova. Na ocasião - a reunião foi marcada para as 9h no auditório do Dnocs no projeto de irrigação -, presidentes de Associações de Produtores irão definir a previsão de área a ser destinada à produção de cana de açúcar e sorgo sacarídeo.

A data foi agendada nesta quarta-feira (12) em reunião no Dnocs com o diretor de Desenvolvimento Tecnológico e Produção do Dnocs, Laucimar Loiola; o deputado federal Ariosto Holanda, autor do projeto; José Façanha Gadelha, do IFCE e lideranças dos produtores do perímetro de Morada Nova. O projeto do CVT de Biocombustíveis foi mostrado por Roberto Alexandrino Feitosa, do IFCE, que coordenará com Nei Barros e Amaury Fernandes, do Dnocs, a versão final a ser entregue no dia 10 de outubro para ser encaminhada à diretora geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Magda Chambriand.

Canal no perímetro irrigado Morada Nova
Só na parte de equipamento, a usina de álcool com capacidade para produzir 5 mil litros por dia custará cerca de R$ 2,5 milhões, disse Roberto Feitosa. O investimento total do projeto que inclui a estrutura física do CVT ficará em torno de R$ 5 milhões. O estudo de viabilidade econômica prevê um retorno de 40% a mais dos custos de produção, sendo a fabricação do álcool escalonada entre as matérias primas da cana de açúcar, prevista para fornecimento em 240 dias do ano e do sorgo sacarídeo, que vai abastecer a unidade 120 dias por ano.

Ariosto Holanda anunciou que tem condições de colocar emenda no Dnocs no valor de R$ 1 milhão para o projeto. Do total, R$ 300 mil serão destinados à construção de uma passagem molhada sobre o rio Banabuiu ligando o setor CH2 ao Perímetro O para facilitar o escoamento da produção e R$ 700 mil para a reforma do prédio da antiga oficina, almoxarifado e carpintaria do acampamento do Dnocs no perímetro irrigado, a 1,5 Km de Morada Nova. A passagem molhada foi solicitada pela Associação dos Usuários do Projeto Irrigado de Morada Nova (Audipimn).

A equipe do DNOCS e IFCE relatou a visita técnica ao perímetro Morada Nova em agosto para escolha do local a ser destinado à instalação da Usina de Álcool e vistoria do trecho da passagem molhada no rio. O relatório da viagem informa que a principal fonte de renda do perímetro é a produção de arroz explorada em mais de 2.200 hectares, “quase monocultura” e aponta vantagens do projeto como o aproveitamento de áreas ociosas ou com problema de salinização, já que a cana de açúcar é muito tolerante ao sal, e destaca a importância da diversificação de culturas em áreas irrigadas.

O local escolhido fica próximo à adutora que traz água do açude Castanhão, que poderá abastecer a usina por gravidade, sem custo de energia elétrica. O titular da Coordenadoria de Tecnologia e Operações Agrícolas do Dnocs, Douglas Augusto Pinto Júnior, participou da visita com Amaury Fernandes e Roberto Feitosa. A equipe recomendou que o projeto da passagem molhada seja feito por engenheiro e topógrafo, sugeriu que a Audipimn solicite os prédios da antiga oficina e peça área de 50 hectares com a planta georeferenciada para o CVT de Biocombustíveis além de reunião com as entidades dos irrigantes para adesão com definição de áreas para produção de cana de açúcar e oleaginosas.

Laucimar Loiola, Douglas Pinto, Roberto Feitosa e Ariosto Holanda

O presidente da Associação de Moradores do Sítio Exu, Clodoaldo Galvão, disse que tem 300 produtores dispostos a aderir, inclusive os que cultivam em áreas de sequeiro, não irrigadas. Segundo Roberto Feitosa, são necessários 200 hectares para atender a previsão de produção da usina que vai precisar de 125 toneladas de cana por dia. A unidade fornecerá subprodutos para geração de valor agregado, sendo 62 mil quilos de volume para silagem e alimento animal e 62 mil litros de vinhoto para fertirrigação. Na reunião, as lideranças dos produtores presentes foram unânimes em apontar as vantagens da produção de álcool em comparação ao arroz ou feijão.

O CVT de Biocombustíveis - com usinas de álcool e biodiesel - pode ser um piloto para ser adaptado a cada perímetro de irrigação do Nordeste, disse Ariosto Holanda. A unidade terá laboratórios de ciências e de análise de água, de solos e de alimentos e vai servir para treinar irrigantes e filhos de irrigantes.

O deputado ficou de agendar reunião com o diretor geral do Dnocs, Emerson Fernandes, e o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, para apresentar o projeto e discutir a criação de incubadoras de empresas rurais dostécnicos e tecnólogos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE) nos perímetros irrigados.
  
A ideia da incubadora foi proposta em reuniãodo deputado Ariosto Holanda com o ministro em fevereiro de 2011 com adesão dos reitores dos Institutos Federais do Nordeste. De acordo com o Dnocs, existem áreas disponíveis para as incubadoras nos perímetros Tabuleiro de Russas, cerca de 200 hectares com lotes de 16 a 25 hectares e no Jaguaribe Apodi dotadas de ponto de água, estrada e energia elétrica.

“Vamos estudar áreas para disponibilizar para as incubadoras”, disse o diretor de Desenvolvimento Tecnológico e Produção, Laucimar Loiola, ao considerar que o tema será levado à reunião com a diretoria do Dnocs e o ministro. Ele adiantou que considera em fase de conclusão a parte técnica do projeto da usina de álcool do perímetro Morada Nova. “Estamos buscando novos caminhos. O Ceará tem condições de partir na frente juntamente com o Dnocs”, ele afirmou.

“A mercadoria mais importante do mundo atual é energia, que tem mercado garantido”, disse o parlamentar cearense. De acordo com Ariosto Holanda, a produção de biodiesel pode alimentar um gerador a diesel a ser adquirido para substituir a energia elétrica da Coelce, que fornece o insumo responsável pelo maior custo de produção nos perímetros irrigados para bombeamento da água.