BNB e IFCE articulam ação de assistência tecnológica às micro e pequenas empresas

O Banco do Nordeste do Brasil e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE) vão articular uma ação de extensão com o objetivo de dar assistência tecnológica às micro e pequenas empresas. A proposta foi apresentada nesta segunda-feira ao presidente do BNB, Ary Joel de Abreu Lazarin, pelo deputado Ariosto Holanda em companhia do reitor do IFCE, Cláudio Ricardo Gomes de Lima.

O diretor de Gestão do Desenvolvimento do BNB, Stélio Gama Lyra Júnior, e o reitor do IFCE vão discutir numa próxima reunião a data e o formato da realização de um encontro de trabalho para detalhar a ação a ser executada com o Sebrae, Institutos Tecnológicos, Universidades e Departamento Nacional de obras Contra as Secas (Dnocs). Ariosto Holanda propôs também a criação de incubadoras de empresas nos perímetros irrigados do Dnocs para alunos dos cursos técnicos e tecnológicos do IFCE.

O deputado disse ter ficado “muito feliz” quando soube da história de Ary Joel como conselheiro do Sebrae e diretor do Banco do Brasil na área de micro e pequenas empresas, e indagou ao presidente de que maneira o BNB pode ajudar na ação de extensão tecnológica voltada para este segmento da economia. “O BNB tem como capitanear esse movimento na linha da extensão. Daria um belíssimo programa”, disse Ariosto Holanda.

“Pode contar conosco”, garantiu o presidente do BNB. “Esse trabalho vem de encontro a uma pergunta que eu faço para minha equipe no BNB: será que não tem um estudo do que poderia ser feito no semiárido para que fosse criada alternativa para a população?” - relatou Ary Joel.  Segundo ele, o povo do semiárido é criativo, apesar da dificuldade maior causada pelas intempéries, e precisa encontrar alternativa fora das coisas convencionais.

Ary Joel observou que às vezes tecnologias mais simples, mas com apoio, já fazem a diferença no município. Segundo ele, as políticas sociais do governo nos últimos anos, a geração de emprego e as condições econômicas na atualidade têm gerado um dinheiro que fica girando no município. Mas se não tiver atratividade para gerar outro fator de dinamização econômica, esse recurso sai do município e vai para grandes centros, assinalou.

Ary Joel disse ter participado como diretor do Banco do Brasil das discussões para a criação do programa de micro empreendedor individual no âmbito do Congresso Nacional e do Ministério da Previdência, na época liderado pelo ministro José Pimentel. O presidente do BNB lembra que ficou a indagação de como continuar após trazer o indivíduo para a formalidade e dar algum apoio de gestão pelo Sebrae. A mesma pergunta ele faz com relação aos novos micro empreendedores individuais que estão entrando no mercado de trabalho e às tecnologias existentes, que podem se tornar acessíveis.

Ariosto Holanda disse que o presidente Lula foi o melhor ministro da Educação que o Brasil teve porque triplicou os Institutos Federais. O Ceará foi onde o instituto federal teve maior crescimento no país e conta com o maior orçamento da rede nacional, hoje com 29 campi dos 150 existentes no Nordeste, informou Cláudio Ricardo. “O Brasil precisa de técnico de nível médio e de tecnólogos, disse o reitor, ao observar que Lula fez a maior expansão dos institutos federais de educação, hoje com 428 campi no país e mais de 500 mil alunos. É a sexta instituição nacional com maior capilaridade no território nacional.

Dois exemplares do trabalho “Assistência Tecnológica às Micro e Pequenas Empresas”, do qual Ariosto Holanda foi relator no Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara, foram entregues a Ary Joel e Stelio Gama, que também deixou com o presidente do BNB um exemplar do projeto técnico de um Centro Vocacional Tecnológico. Em reunião de 10 reitores dos institutos federais do Nordeste com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, foi proposta a implantação de um CVT em cada perímetro irrigado do Dnocs, relatou Ariosto.

Quando secretário da Ciência e Tecnologia do Ceará, o deputado contou que esteve em Medianeira, no Paraná, e recebeu grande apoio técnico do instituto federal à época dirigido pelo atual reitor Irineu Colombo para implantar os projetos dos Centros de Ensino Tecnológico (Centec) e CVT do Ceará. A cidade paraense foi onde Ary Joel nasceu, viveu a infância e adolescência. No município, já no Banco do Brasil, conta o presidente do BNB que acompanhou a criação de incubadoras de empresas no então Cefet.

A ação de extensão e transferência do conhecimento defendida por Ariosto Holanda – ele justifica – é direcionada para o povão que não vai mais para a escola mas precisa aprender um ofício para ganhar a vida. O povão que precisa entrar para o mercado de trabalho que exige conhecimento é constituído por 50 milhões de analfabetos funcionais, metade no Nordeste. “O ensino formal no Brasil está bom, mas esta população estão desasistida”, ele afirmou. O desafio maior está nesta região, onde 17% da população são analfabetos enquanto no país a média é de 7%.

O Plano de Desenvolvimento Científico e Tecnológico para o Nordeste do qual o parlamentar foi relator na Bancada do Nordeste foi citado por Ariosto Holanda. Ele explicou que o assunto será tratado com o presidente do BNB pelo coordenador da Bancada do Nordeste, deputado José Guimarães. Mas fez um resumo da proposta, já apresentada ao ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp. O Plano visa trazer para gestão do Fundo de Ciência de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundeci) do BNB o percentual do Nordeste dos 30% regionais dos fundos setoriais. 

Um conselho presidido pelo ministro e formado por entidades de ciência e tecnologia do Nordeste determinaria onde usar os recursos que hoje são aplicados por meio de editais nacionais. “O edital é uma forma de tratar de modo igual aos desiguais”, disse Ariosto Holanda. No período de nove anos mais de R$ 500 milhões deixaram de ser aplicados nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, sendo cerca de R$ 300 milhões de direito destinados ao Nordeste que não foram aplicados.

Os recursos viriam fortalecer o Fundeci do Escritório Técnico de Estudos Econômicos (Etene). Passado o período eleitoral, o presidente do BNB disse que foi convidado por José Guimarães para participar de um encontro com a Bancada do Nordeste.

O orçamento do Fundeci este ano é de R$ 25 milhões, que totaliza a R$ 35 milhões com outros fundos agregados, explicou Stélio Gama. Joel Ary destacou o papel do Etene como um órgão que detem informações e trabalhos realizados sobre a realidade da região que ninguém possui, além de contar com um quadro altamente qualificado. Para o deputado, o Etene faz o que a Sudene deixou de fazer: os estudos de planejamento do Nordeste.