Projeto da usina de etanol de Morada Nova será entregue em março para levar ao Ministério da Integração Nacional

Dnocs define parceiros e encaminhamento para implantar duas usinas de biodiesel e uma de álcool

 

Será entregue para licitação, no início de março, o projeto técnico da usina de etanol do perímetro irrigado Morada Nova, a ser levado ao ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, pelo diretor-geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Emerson Fernandes, e pelo deputado Ariosto Holanda. Com capacidade para a produção diária de 10 mil litros de álcool, a unidade vai compor o CVT de Biocombustíveis, a ser dotado também de usina de biodiesel.

 

O projeto será elaborado pelo engenheiro Mauro Barreto, da JB Consultoria, que discutiu nesta terça-feira o modelo da usina, dotada de caldeira para queimar o bagaço da cana, gerar energia e processar o etanol. O consumo de energia elétrica se restringirá apenas a dar partida ao motor. A unidade foi dimensionada para operar com a produção de 390 hectares de cana de açúcar e vai envolver cerca de 450 irrigantes do perímetro e região vizinha, dos municípios de Morada Nova e Limoeiro do Norte.

 

Na reunião ficou definido o local da usina – a antiga oficina do Departamento no perímetro Morada Nova – e os entes a serem conveniados no projeto: o Instituto Federal de Educação (IFCE), prefeitura do município e o Dnocs. Ficou decidido ainda encaminhar o pedido de licença ambiental na Semace para a planta de etanol e a usina de biodiesel, por parte do IFCE, também assunto das discussões no encontro.

 

Na próxima sexta-feira (dia 8) o coordenador estadual do Dnocs, Faub Ferreira Gomes, visita o local destinado ao CVT de Biocombustíveis para reunião com integrantes da representação dos irrigantes com objetivo de oficializar a anuência da destinação da área à produção de álcool e biodiesel. Com ele, irão a Morada Nova o diretor técnico, Nei Barros e Joacir Moreira de Souza, encarregado de acompanhar o projeto pelo Dnocs.

 

Durante o encontro, que teve a participação do diretor de Desenvolvimento Tecnológico e Produção, Laucimar Loiola, Emerson Fernandes declarou o desejo de ver a usina de etanol instalada e produzindo. Também estavam presentes o secretário de Agricultura de Morada Nova, Edson Brito, com o diretor Messias Bandeira, o presidente da Associação dos Moradores do Sítio Exu e Adjacências (Amense), Clodoaldo Galvão e o presidente da Associação dos Usuários da Água do Distrito do Perímetro Morada Nova (Audipim), Francisco Sales Almeida, com o diretor da entidade, José Moacir Lima.

 

Também foi objeto de encaminhamento o projeto de implantação da usina de biodiesel de Jaguaribara para processamento de vísceras de pescado, pelo secretário de Agricultura, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Flávio Araújo. Das duas usinas de biodiesel fabricadas para o Dnocs pela Metalúrgica Linard com recursos de emenda do deputado Ariosto Holanda, que estão na fábrica, em Missão Velha, uma irá para o CVT de Biocombustíveis em Morada Nova e outra para Jaguaribara.

 

Segundo o secretário, o subproduto de 1 milhão de quilos por mês de vísceras de tilápia pescadas no açude Castanhão,  que constituem ameaça ao meio ambiente se lançadas na água, serão transformadas em biodiesel. A prefeitura de Jaguaribara dá definiu o local para sediar a usina de biodiesel. A Prefeitura do Município celebrará convênio com o Dnocs e o IFCE. A unidade vai ser operada em parceria com as associações de pescadores.

 

Joacir Moreira de Souza informou que o Dnocs vai fazer o tombamento dos equipamentos das duas usinas, que somente serão repassadas após a obtenção da licença ambiental, que precede a formalização do convênio com as instituições parceiras nos dois projetos. “A Procurdoria do Dnocs entende que se entregar as usinas sem a licença ambiental não sabe quando irão funcionar”, afirmou. Segundo ele, após o Carnaval, Faub Ferreira Gomes e Nei Barros também irão visitar o local que vai receber a usina em Jaguaribara, em data a ser definida.

 

Após a reunião, Ariosto Holanda conversou com Joacir Moreira e Mauro Barreto. O deputado disse que falará com o presidente da Petrobras, Miguel Rosseto, ou com o diretor de Biocombustíveis da empresa, João Augusto Paiva, para que seja dado algum incentivo ao projeto de implantação das duas usinas de biodiesel e da usina de etanol, pelo fato da iniciativa ser pioneira entre pequenos agricultores de um perímetro irrigado.

 

Mauro Barreto veio a Fortaleza após chegar de viagem da Argélia e em seguida irá a Cancun, no México, e à Venezuela em consultoria a projetos de usinas de etanol. Ficou ainda decidido no encontro agendar uma palestra do consultor e de Wilton Cruz, do Instituto Centec em Barbalha, sobre produção de cana e a cadeia produtiva do etanol, com a participação de Ariosto Holanda. A data será definida, provavelmente num sábado em Morada Nova.

 

Edson Brito destacou a contribuição do CVT de Biocombustível na fixação do homem no campo. “O grande problema é o êxodo rural. A população em Morada Nova diminui em média mil pessoas por ano”, disse ele. Com relação ao biodiesel, o secretário de Agricultura observou que estuda no município uma retomada do plantio de algodão colorido, inspirado no exemplo da Paraíba e numa colheita exitosa de 500 arrobas por hectare em projeto piloto no perímetro irrigado de Tabuleiros de Russas.

 

“Se colhermos 115 arrobas por hectares, o investimento já se torna viável”, afirmou Edson Brito. O presidente Audipim, Francisco Sales Ferreira Almeida, observou que o perímetro tem áreas propícias à cana de açúcar, que são áreas ociosas, e avalia que a usina vai preencher lacuna com alternativa de produção mais rentável do que o arroz, de grande consumo de água.

 

“O projeto é economicamente rentável, socialmente responsável e ambientalmente sustentável”, assinalou Messias Bandeira. Na safra 2012, o perímetro Morada Nova produziu 17 milhões de quilos de arroz, conta com rebanho de 9.500 cabeças de gado cuja ordenha rendeu 11 mil litros leite por dia.

 

FONTE: Flamínio Araripe