Cid Gomes acata proposta de criação do Conselho Estadual de Extensão Tecnológica


Ariosto Holanda, Domingos Filho, Cid Gomes e René Barreira

As salas de aula e de laboratórios das 92 Escolas Estaduais de Educação Profissional que ofertam ensino médio integrado foram colocadas a serviço do Programa de Assistência Tecnológica às Micro e Pequenas Empresas (Patme) pelo governador do Ceará, Cid Gomes. Em reunião sexta-feira (dia 15) com universidades e institutos que trabalham com este segmento, proposta pelo deputado Ariosto Holanda para discutir ações do Patme, o governador informou que as EEEP oferecem hoje 52 diferentes cursos técnicos e têm mais de 31 mil jovens alunos em tempo integral.

 

Cid Gomes disse que a informação sobre a carência de profissionais de nível médio, dada por Ariosto Holanda em reunião no início do governo, o marcou. “Foi uma das principais motivações para que eu fizesse o programa das Escolas de Educação Profissional”, ele afirmou. Esta iniciativa do Ceará, segundo o deputado, é exemplo para o país e foi objeto de exposição do governador a convite da Comissão Especial do Plano Nacional de Educação (PNE), na Câmara Federal, observou.

 

O governador explicou que as salas de aula das EEEP estão ocupadas de manhã e à tarde, mas no turno da noite podem ser colocadas à disposição de um grande programa de assistência tecnológica às micro e pequenas empresas. As salas dos laboratórios, segundo ele, contam com pé direito alto e podem receber novos equipamentos para atender a esta finalidade.

Refeitório da Escola Estadual de Educação Profissional em Morada Nova

Há no Brasil um desequilíbrio entre a disponibilidade de profissionais de nível técnico com os de nível superior. Enquanto nos países desenvolvidos existem cinco técnicos para um profissional com graduação universitária, no Brasil a correlação é quase o inverso, uma proporção de dois profissionais de nível superior para um de nível técnico, sendo maior o desnível no Nordeste com quatro profissionais de nível superior para um técnico de nível médio.

Escola Estadual de Educação Profissional em Beberibe

O problema foi apontado em 1991 pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso formada pelo Senado e Câmara Federal, que investigou As Causas e as Dimensões do Atraso Tecnológico do País nos processos produtivos da indústria e nos processos de geração e difusão de tecnologia nos centros de pesquisa e instituições de ensino e pesquisa. À época, segundo o Confea-Crea, existiam 400 mil técnicos de nível superior e 200 mil técnicos de nível médio qualificados.

 

A CPI recomendou a formação de tecnólogos em cursos de curta duração, adotada nos países desenvolvidos, e apontou que esta, no Brasil, entrou em declínio a partir dos anos 80. Propôs incentivar a formação de técnicos e tecnólogos, profissionais de quadros intermediários para atender às demandas tecnológicas do país, e que fosse dado um caráter profissionalizante à formação do ensino médio. O deputado Ariosto Holanda atuou na CPI como relator do estudo sobre capacitação tecnológica, que compôs o documento final, e apresentou um relato dos resultados ao governador que influenciaram a decisão de criar as EEEP.

 

Cid Gomes informou na reunião ter recebido na mesma data e-mail com fotografias da fachada do Centro de Educação a Distância (CED), em Sobral. “A obra foi construída por sugestão sua” – disse o governador a Ariosto Holanda – e está praticamente pronta”. O CED será conectado ao Cinturão Digital, a infraestrutura de fibra óptica que interliga 82 municípios, incluindo todas sedes regionais do Estado, ele acrescentou.

 

O CED deverá coordenar todo o sistema estadual de Educação a Distância, assinala o secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, René Barreira. Será uma base com estúdios de rádio e TV para fazer a formação de professores das redes estadual e municipal. Conforme a proposta do deputado, a unidade produzirá conteúdos em todas as mídias – TV, rádio e videoconferência. Segundo o secretário, o CED será usada para capacitação em outras áreas. Como exemplos, citou cursos de gestão de saúde pública para a Escola de Saúde Pública, cursos de marketing para o Sebrae de modo a cobrir 50 municípios simultaneamente e a interligação dos campi de todas Universidades.

 

O Cinturão Digital começou gerenciando a Gigafor em Fortaleza e conta com enorme malha que interliga diversas instituições do Estado, tanto de ensino e pesquisa como administrativas, com penetração no interior, observa Cid Gomes. O presidente da Companhia Docas do Ceará, Paulo André Holanda, informou que a empresa foi conectada ao Cinturão Digital, o que quadruplicou a velocidade, de modo a tornar a instituição com a Internet de maior velocidade entre todas as Cias Docas do país, e facilitar a implantação do projeto Porto sem Papel.

 

A ideia da criação de um programa de assistência tecnológica às micro e pequenas empresas, disse o governador, é perfeita. “Tem muita gente gastando duas vezes. Mas pode, agora, compartilhar meios e saber o que cada uma tem a oferecer. Mais uma vez o deputado presta um serviço ao Ceará”, disse ele ao indicar Ariosto Holanda para coordenar o programa. Ele recomendou que as instituições avancem rápido nas ações, uma vez que se aproxima o período de conclusão do atual mandato. Para Cid Gomes, a integração boa entre as instituições é cada qual no seu quadrado, se relacionando uma com a outra. “Mas não com a concorrência entre elas”, recomendou.

 

A proposta do presidente da Federação da Agricultura no Ceará, Flávio Saboya, de criar um conselho das entidades que ofertam extensão tecnológica, que congregue as instituições de capacitação profissional e assistência tecnológica às micro e pequenas empresas, foi aceita pelo governador. “Pode chamar as instituições e fazer o Projeto de Lei que envio à Assembleia Legislativa. O conselho será vinculado à Secitece”, disse Cid Gomes.

 

FONTE: Flaminio Araripe