Centro de Tecnologia da UFC é desafiado a credenciar Astef no Pronatec e dar cursos de extensão a pobres

Ariosto Holanda mostra que uma turma de 40 alunos com curso de 200 horas tem direito a receber R$ 80 mil

Em palestra de abertura do ano letivo no Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Ceará, o deputado Ariosto Holanda fez um desafio aos professores e coordenadores de cursos da área de engenharia da UFC para que iniciem um programa de extensão. Segundo o parlamentar, esta é uma maneira de ajudar a população mais pobres e mais humilde com cursos técnicos profissionalizantes em áreas como eletrotécnica, edificações, construção civil e outras.

O deputado apontou como caminho para financiar a iniciativa o credenciamento no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) por meio da Associação Profissional Paula da Frontin (Astef), vinculada ao Centro de Tecnologia.  O credenciamento no Pronatec, um programa governo federal, além de ajudar as pessoas que precisam aprender uma profissão para melhorar de vida, propiciará recursos para a Astef remunerar bem aos professores.

O Ministério da Educação paga R$ 10 por hora aula aluno para a entidade credenciada no Pronatec. Se for formada uma turma com 40 alunos para um curso técnico de 200 horas, a Astef vai faturar R$ 80 mil, disse o deputado, como exemplo.

O prefeito Roberto Cláudio Bezerra, de Fortaleza, e o deputado federal Ariosto Holanda, foram os nomes escolhidos este ano para dar as palestras de abertura do ano letivo (2013.1) do Centro de Tecnologia da UFC nesta segunda-feira. O primeiro discorreu pela manhã sobre as grandes obras e investimentos da Cidade, relatou o diretor do Centro de Tecnologia, Barros Neto, ao receber o parlamentar, que falou à tarde sobre a evolução da ciência e tecnologia e a necessidade do país formar mais engenheiros.

O deputado mostrou que 5,9% dos concludentes de cursos universitários no Brasil são engenheiros enquanto 65% vieram dos cursos de administração, direito, pedagogia e contabilidade. “Nada tenho contra estes cursos, mas o Brasil precisa de engenheiros, carência constatada nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”, disse ele.

Como oportunidade para absorção de novos profissionais, o deputad apontou os programas setoriais básicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Citou as áreas de tecnologia da informação e comunicação, fármacos e complexo da indústria da saúde, química industrial e química verde, energia, bens de capital, minerais estratégicos, petróleo, gás e carvão mineral, aeroespacial, produção agrícola sustentável e complexo industrial da defesa.

Ariosto Holanda aconselhou aos novos alunos do Centro de Ciências uma boa formação nas três linguagens - matemática, a base dos cursos da área de tecnologia, português e uma língua estrangeira. Destacou também a importância da física nas engenharias. “Como escrevem mal os engenheiros’, disse ele, ao recomendar que precisam aprender a escrever. Com relação a uma língua estrangeira, o deputado observou que a falta de fluência em outro idioma tem sido a grande barreira para participação no programa Ciência sem Fronteiras, que oferta 75 mil bolsas para alunos brasileiros estudarem no Exterior.

“Em qualquer adversidade da vida profissional, nunca percam a capacidade de exercitar o seu trabalho com ética”, afirmou Ariosto Holanda. “O Brasil precisa de um choque de ética”, disse ele, que contou uma experiência introduzida no Centec de Limoeiro do Norte em que o Padre Manfredo, da Pós-Graduação em Filosofia da UFC, organizou com outros professores mesas redondas para os alunos dos cursos tecnológicos para a discussão de temas da filosofia, sociologia e psicologia.

Ariosto Holanda

Engenheiro formado na segunda turma do curso de engenharia na UFC, Ariosto Holanda foi professor por 30 anos da instituição federal onde coordenou o curso de engenharia química, e mais tarde coordenou o curso de engenharia química da Unifor. Em 1961, quando concluiu o seu curso, a UFC tinha 120 alunos e duas mulheres na engenharia, que propiciava a formação de engenheiro politécnico, com abrangência nas diversas áreas da profissão. Com a evolução tecnológica atual, os alunos da engenharia recebem base comum na formação inicial e pelo quinto semestre já o foco é a área específica.

Barros Neto, diretor do Centro de Tecnologia da UFC, defendeu o investimento dos royalties do pré-sal de modo exclusivo em todas as áreas da educação. Para ele, se melhora o ensino fundamental e o médio, melhora também a universidade e a engenharia. Em vez de vincular ao pré-sal os 10% do PIB para a educação, Ariosto Holanda defendeu que o percentual seja comprometido com recursos do Tesouro, que asseguram garantia estável e não dependente de extração do petróleo sujeita a oscilações, como aprovou a Câmara Federal no projeto de lei do Plano Nacional de Educação (PNE).

O Centro de Tecnologia, disse Barros Neto, hoje com 58 anos, conta com 10 cursos de engenharias – além de arquitetura e design -, forma 804 alunos por ano, tem com seis doutorados e três mestrados, quase 4 mil estudante na graduação e 1 mil na pós-graduação. Segundo ele, hoje sobram bolsas para aluno de graduação ir estudar no Exterior, pois a seleção requer boas notas e fluência em língua estrangeiras.


FONTE: Flamínio Araripe