Perímetro irrigado Morada Nova quer ser incluído no Programa Mais Irrigação

O presidente da Associação dos Usuários da Água do Distrito do Perímetro Morada Nova (Audipim), Francisco Sales Almeida, com outras lideranças locais do setor, pediu o apoio do deputado Ariosto Holanda para a inclusão do projeto irrigado no Programa Mais Irrigação, do Ministério da Integração Nacional. Segundo ele, o perímetro irrigado Icó Lima Campos e o Baixo Acaraú, também do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) foram incluídos e contarão com recursos para recuperação da infraestrutura.

 

O deputado observou que no lançamento do Programa Mais Irrigação, no ano passado, o que mais chamou a sua atenção foi que os perímetros irrigados da região do Vale do Jaguaribe – Morada Nova, Tabuleiros de Russas e Jaguaribe-Apodi – ficaram fora. Segundo ele, a bancada federal do Ceará se reuniu e chamou o secretário nacional de Irrigação, Guilhere Orair, do Ministério da Integração Nacional, que disse não ter recebido projetos.

 

O prefeito de Morada Nova, Walderley Nogueira, informou que o secretário executivo do Ministério da Integração Nacional, Alexandre Navarro, virá em junho a Morada Nova, em atendimento a convite que fez por ocasião da Comissão Especial da Câmara sobre a seca no Nordeste, no início de maio. Segundo ele, o perímetro irrigado Icó-Lima Campos vai receber R$ 40 milhões para reestruturação pelo Programa Mais Irrigação.

 

Ariosto Holanda adiantou que vai cobrar do secretário a inclusão do perímetro irrigado no Programa e quando ele chegar o prefeito pretende reunir todos os irrigantes para discutir como o projeto vai ser atendido pelo Mais Irrigação. O deputado informou que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, lhe garantiu que os perímetros irrigados do DNOCS vão ter Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT), que propiciarão assistência técnica permanente e apoio laboratorial com análise fitossanitária, de solos e água.

 

Mas para o perímetro irrigado Morada Nova, o deputado disse que já colocou emenda de R$ 2 milhões no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, destinada ao CVT de Biocombustíveis. O projeto conta ainda com o compromisso do governador Cid Gomes, que garantiu a aquisição dos laboratórios. A unidade terá ao lado duas usinas, uma de biodiesel que já está pronta na fábrica em Missão Velha, à espera do transporte por parte do DNOCS, e outra de álcool que, segundo o deputado, já está praticamente certa com apoio do Ministério da Integração Nacional.

 

A usina de álcool vai produzir 10 mil litros de álcool por dia, disse o presidente da Associação dos Moradores do Sítio Exu e Adjacências (Amense), Clodoaldo Galvão. Segundo ele, parte da produção de arroz do perímetro será substituída por cana de açúcar e sorgo sacarídeo. Para alimentar a usina de biodisel serão produzidas sementes oleaginosas de algodão colorido e girassol.

 

Clodoaldo Galvão informou que visitou a área de produção de cana de açúcar em Barbalha, cultura que disse ser de fácil manejo, apresenta rentabilidade maior do que o cultivo do arroz irrigado e propicia maior empregabilidade da mão de obra. A mesma área plantada em Barbalha, disse ele, há 60 anos apresenta a mesma produtividade sem queda na quantidade de tonelada colhida por hectare.

 

Cada produtor interessado em participar da produção de álcool para alimentar a usina destinará um dos quatro hectares para o plantio de cana de açúcar, cultura alternada com sorgo sacarídeo para a colheita de duas safras sucessivas. O presidente da Associação observou que 200 a 300 irrigantes vão aderir de início ao plantio do que chamou “energia verde” para alimentar as usinas de álcool e de biodiesel. “Quem quiser, pode colocar toda sua área para a produção de energia”, afirmou.

 

Ao passar pelo processamento, o bagaço da cana de açúcar servirá para silagem, observou Clodoaldo Galvão. O prefeito Wanderley Nogueira avalia que a produção de cana de açúcar irá fortalecer o extremo potencial da bacia leiteira do perímetro irrigado Morada Nova, considerado o maior do estado na pecuária, ao aproveitar também para silagem 30% da colheita constituídos pela palha outros restos.

 

Ariosto Holanda acrescentou que o CVT e as duas usinas serão operados preferencialmente por alunos e ex-alunos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE). O deputado informou que o projeto do novo DNOCS introduz como avanço a realização de estudos e pesquisas, a função permanente de oferta da capacitação e gestão. Esta é, para ele, a lacuna a ser preenchida pelos CVTs a serem colocados ao lado dos perímetros irrigados e das incubadoras de empresas com alunos e ex-alunos do IFCE nos projetos de irrigação que irão agregar conhecimento tecnológico ao trabalho e geração de maior valor ao trabalho dos irrigantes.

 

Antonio Lima Neto, presidente do perímetro Morada Nova, que mora no setor 3, na área onde será implantado o CVT de Biocombustíveis, avalia que a produção de álcool e biodiesel é a solução para o projeto de irrigação. Em companhia da esposa, Maria José, ele relata que conseguiu educar os filhos com a agricultura irrigada.

 

Filho de boia fria e bisneto de escravos, de uma família de 11 irmãos, Antonio Lima Neto comemora que formou o filho Jhonatana Lima Gomes em Comércio Exterior e depois o enviou para intercâmbio nos EUA ao custo da venda de terra, gado e empréstimos. O seu pai tornou-se irrigante no perímetro Morada Nova, do DNOCS, e obrigou os filhos a estudar - ou então apanhavam.     Feliz, ele contou que o filho foi selecionado pela Fifa para trabalhar no receptivo na Copa das Confederações.

 

FONTE: Flaminio Araripe