São João do Aruaru aposta em emancipação e Centro de Inclusão Digital para fortalecer comunidade

Abdon Ferreira de Sousa lembra que na seca de 1987 garantiu na sua oficina de marcenaria, em São João do Aruaru, em Morada Nova, o suprimento de carros de mão de madeira por encomenda da Secretaria da Indústria e Comércio do governo do Ceará. Depois, atendeu ao pedido para a produção de mobiliário escolar, carteiras e mesas, para a Secretaria estadual de Educação. Os carrinhos de mão foram usados na frentes de serviço mobilizadas na época para atender à população atingida pela seca.

 

A oficina de marcenaria de Abdon Ferreira de Sousa era uma das 60 em atividade no distrito de Aruaru, e empregava 30 funcionários na década de 70. Com a produção para atender às encomendas do governo, ele lembra que intensificou o movimento na oficina e conseguiu até comprar um carro.

 

A ideia de encomendar carros de mão de madeira foi sugerida ao então governador Tasso Jereissati pelo secretário de Indústria e Comércio na época, Ariosto Holanda, em substituição aos carros de mão de ferro que seriam comprados de uma indústria na Bahia. Em seguida, ao saber que empresas do Paraná iriam fornecer mobiliário escolar para uma licitação da Secretaria de Educação, o secretário deu a ideia ao governador de estimular as micro e pequenas empresas do Ceará, que deram conta do serviço.

 

Sábado passado, seu Adbon encontrou o deputado Ariosto Holanda em reunião com a comunidade local no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de São João do Aruaru, em Morada Nova, a 63 Km da sede do município. Já idoso, o marceneiro informa que agora são os filhos que tocam a oficina, da qual se afastou por motivos da idade avançada. Os olhos dele brilham quando conta que recebeu há poucos dias a madeira e o pedido para fazer três cabos de machado, foi à oficina e logo, com a ajuda dos operários, concluiu o serviço e fez a entrega em pouco tempo.

 

Hoje, segundo o pioneiro, apenas 20 oficinas de marcenaria funcionam em São João do Aruaru. O Arranjo Produtivo Local (APL) vai ganhar um reforço com a construção de um Centro de Inclusão Digital do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE), por meio de recursos de emenda do deputado. Ariosto Holanda manifestou o reconhecimento e gratidão por seu Adbdon ter assegurado o atendimento da encomenda do governo do Ceará com a produção de carrinhos de mão de madeira e mobiliário escolar.

 

O deputado explicou que é preciso encontrar um terreno com escritura pública para doação ao IFCE para poder ser construído o Centro de Inclusão Digital. Os recursos para a emenda parlamentar, segundo ele, já foram colocados em 2012 no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, cerca de R$ 1 milhão. Portanto, se for resolvida logo a doação do terreno, o IFCE pode fazer a licitação, que demora de três a seis meses e até o final do ano a obra estará concluída.

 

O CID, segundo o deputado, será um caminho para capacitação dos jovens nos cursos do Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do Ministério da Educação, ministrados pelo IFCE. A unidade poderá receber cursos técnicos de nível médio na modalidade semipresencial e à distância do e-TEC do IFCE, além de cursos da Universidade Aberta do Brasil (UAB) para aperfeiçoamento dos professores.

 

Participaram da reunião os vereadores Claudio Maroca, residente em São João do Aruaru, e Jorge Brito, de Morada Nova, com os suplentes de vereador Ronald Santos, Rafael Rabelo, residente no vizinho distrito de Boa Água, Arnaldo Cazuza, o presidente da Associação dos Moradores do Sítio Exu e Adjacências (Amense), Clodoaldo Galvão e o vice-prefeito de Limoeiro do Norte, Marcos Coelho. O projeto de emancipação do distrito de São João do Aruaru de Morada Nova, dentro dos critérios do projeto de lei PLP 418/08 para a criação, desmembramento e fusão dos municípios foi outro tema discutido na reunião, que mobiliza a comunidade local.

 

O Centro de Inclusão Digital será o primeiro órgão do governo federal no distrito, que tem população de 9.829 habitantes (Censo do IBGE), cerca de 70 professores e 23 projetos de assentamento do INCRA. Não tem creche nem sinal de celular ou internet. O Cinturão Digital passa longe. O distrito é cortado pelo Eixo de Integração, o Eixão, o canal que traz água dos açudes Banabuiu e Castanhão para Fortaleza.

 

O suplente de vereador Rafael Rabelo defendeu a liberação de um pouco da água do Eixão para abastecer os projetos de assentamento que estão sendo atendidos por água contaminada de carro pipa. Segundo ele, 23 projetos de assentamento do Incra de Morada Nova deram entrada a pedido de pequenas adutoras para abastecimento humano no Projeto São José mas a Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) não liberou a outorga da água.

 

“O governo quando construiu o Eixão prometeu que ia ter água para as comunidades ao longo do canal, mas não tirou um balde”, disse Rafaeal Rabelo e como exemplo citou o assentamento Batente que tem 93 famílias e está sendo abastecido por carro pipa. O suplente de vereador de Boa Água pediu ao deputado para interceder junto ao governo estadual. Ariosto Holanda disse que está disponível para acompanhar os moradores a uma reunião na Cogerh para defesa do pleito.

 

Ariosto Holanda observou que São João do Aruaru tem todas as condições para ser o primeiro a se emancipar no Ceará e informou que vai votar na aprovação do projeto de lei na Câmara. A urgência da apreciação da matéria na pauta foi votada por aclamação, diante do entusiasmo dos emencipacionistas nas galerias da Câmara e nenhum deputado criou dificuldade na tramitação.

 

O vereador Claudio Maroca destacou a importância do Centro de Inclusão Digital como a mais importante obra já recebida por São João do Aruaru, e agradeceu ao vereador Roberto Menezes por ter conseguido o espaço para a reunião. O vereador residente no distrito informou que a prefeitura de Morada Nova já olhu um terreno para doação e contou que dialogou com o líder do governo na Câmara, o vereador Edinho, e contou que ele se prontificou a resolver o assunto do terreno centro da rua num prazo recorde.

 

O suplente de vereador Arnaldo Cazuza, agente de saúde, concitou a comunidade local a não esperar que venha doação, e a trabalhar para comprar o terreno, realizando promoção com seresta e bingo com prêmio. Ele criticou a falta de reconhecimento ao trabalho do agente de saúde e a retenção, pela prefeitura, de R$ 144 dos R$ 853 de incentivo repassados para cada profissional.

 

FONTE: Flamínio Araripe